Destinos mundiais sofrem com excesso de visitantes e Pará entra no debate com a COP-30.

O turismo, motor econômico de diversos países, também se tornou uma ameaça aos próprios destinos que alimenta. O fenômeno do overtourism — quando o número de visitantes ultrapassa a capacidade de suporte ambiental, social e cultural — já coloca em risco alguns dos lugares mais famosos do mundo. E a discussão ganha ainda mais relevância com a COP-30, que será realizada em Belém, no coração da Amazônia, em 2025.
De Machu Picchu, no Peru, ao Monte Everest, no Nepal, passando por Veneza, na Itália, e a Grande Barreira de Corais, na Austrália, os exemplos se acumulam: erosão, lixo, perda de biodiversidade, pressão sobre moradores e transformação de cidades históricas em parques turísticos. Em todos os casos, a ausência de políticas rígidas de controle e o turismo de massa colocam em risco a sobrevivência de ecossistemas frágeis e patrimônios culturais milenares.
Na Amazônia, os desafios são semelhantes. Destinos como Alter do Chão, no Pará, conhecido como “Caribe da Amazônia”, já sofrem com pressão ambiental, carência de saneamento e impactos de eventos climáticos extremos, como a seca recorde que reduziu drasticamente o nível do rio Tapajós em 2023 e 2024. A Ilha do Marajó, por sua vez, enfrenta problemas de infraestrutura e vulnerabilidades sociais que exigem atenção especial diante do crescimento do turismo na região.
A realização da COP-30 em Belém coloca o Pará no centro das discussões globais sobre sustentabilidade. O encontro deve debater não apenas as mudanças climáticas e seus efeitos sobre a Amazônia, mas também como transformar o turismo em um aliado da preservação. O recado dos especialistas é claro: sem gestão responsável, a atividade que hoje gera renda pode se tornar uma ameaça irreversível ao futuro.
O turismo pode ser ponte para o desenvolvimento ou trilha para a destruição — a escolha depende de como cuidamos dos destinos hoje.
Assim, ao mesmo tempo em que o mundo olha para destinos icônicos ameaçados pelo excesso de turistas, o Pará tem a oportunidade de mostrar um caminho diferente: desenvolver o turismo de forma sustentável, garantindo que a beleza da floresta, dos rios e da cultura local permaneçam vivos para as próximas gerações.


