Opinião adminespia outubro 14, 2025 (0) (539)

Belém e a COP-30: desafios da inclusão popular.

Foto Agência Goolby

Opinião de CRISTIANO MEDINA

Belém será novamente palco de um grande encontro mundial, a COP-30, que discutirá o futuro climático do planeta entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025. Assim como no Fórum Social Mundial de 2009, a capital paraense voltará a receber milhares de visitantes e lideranças de diversos países. O evento representa não apenas uma vitrine global para a Amazônia, mas também um desafio: transformar debates ambientais em ações concretas que melhorem a vida da população local.

A COP-30, 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, promete reunir cerca de 70 mil pessoas em Belém, entre autoridades, ambientalistas, cientistas e representantes de movimentos sociais. O evento marca o retorno do protagonismo amazônico no debate climático mundial, após mais de 15 anos da realização do Fórum Social Mundial na cidade.
O governo federal anunciou que a Itaipu Binacional investirá R$ 1,3 bilhão em obras de infraestrutura para preparar a capital paraense, despertando o interesse do setor privado e de investidores nacionais e internacionais. No entanto, é essencial que esses investimentos também tragam benefícios diretos à população. Questões históricas como inundações recorrentes, falta de saneamento básico, poluição dos canais e precariedade na distribuição de água continuam sendo grandes desafios urbanos.
Além disso, a violência e a desigualdade social ainda marcam profundamente a realidade belenense, e precisam ser enfrentadas como parte da construção de uma cidade sustentável. A COP-30, portanto, deve ir além das discussões técnicas e se transformar em uma oportunidade de inclusão e transformação social.

“O futuro da Amazônia não se constrói apenas nas cúpulas, mas nas mãos do povo que vive e resiste em suas margens.” – Cristiano Medina

A importância da participação popular

Belém possui belezas naturais e culturais marcantes — como o Ver-o-Peso, o Mangal das Garças, a Estação das Docas e o Círio de Nazaré —, mas enfrenta contradições que contrastam com seu potencial turístico. Para que a COP-30 represente um verdadeiro marco, é necessário que o debate chegue às comunidades e envolva os cidadãos nos processos de decisão.
A cúpula dos povos, evento paralelo à conferência, é um espaço essencial para dar voz aos movimentos sociais, sindicatos, universidades e igrejas. Somente com a participação ativa da sociedade civil será possível garantir que as propostas discutidas resultem em políticas públicas concretas e duradouras.

A COP-30 é uma oportunidade histórica para Belém redefinir sua relação com o meio ambiente e com seu próprio povo. Mais do que investimentos e discursos, é necessário garantir que as decisões tomadas durante a conferência representem o desejo coletivo de uma cidade mais justa, limpa e participativa.


O sucesso da COP-30 dependerá da união entre governo, sociedade civil e comunidades locais em torno de um propósito comum: cuidar da Amazônia e de quem vive nela.

CRISTIANO MEDINA, Educador popular e militante dos direitos humanos. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA)

As opiniões expressas neste artigo são de inteira responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a linha editorial, os valores ou as posições institucionais do site O Espía. Nosso compromisso é garantir a pluralidade de ideias e o livre debate de temas relevantes para a sociedade.

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