A força da direita nas eleições do Pará.

À medida que se aproximam as eleições de 2026, cresce o debate sobre a capacidade da direita paraense influenciar a disputa pelo governo estadual. Liderados pelo deputado federal Eder Mauro (PL) e pelo deputado federal Joaquim Passarinho (PL), os movimentos desse campo político despertam atenção, sobretudo em um cenário onde a hegemonia dos Barbalho vem dominando as últimas eleições. A questão central é: até que ponto a direita conseguirá se consolidar como alternativa viável ao projeto já estabelecido no Pará?

O cenário político do Pará tem sido marcado nas últimas décadas pela força dos grupos tradicionais, especialmente do MDB liderado por Helder Barbalho e sua família. No entanto, a ascensão da direita no Brasil e o fortalecimento de figuras alinhadas ao campo conservador abrem espaço para questionamentos sobre o real impacto dessa corrente nas eleições estaduais.
Eder Mauro, deputado federal com forte ligação com o bolsonarismo, construiu sua trajetória apoiada no discurso de segurança pública, conservadorismo de costumes e proximidade com a base evangélica. Sua votação expressiva nas últimas eleições para a Câmara dos Deputados mostra que ele possui uma militância fiel e uma presença consolidada em diferentes regiões do estado. Ainda que polarizador, Mauro é visto como o principal símbolo da direita no Pará e pode desempenhar papel decisivo na disputa.
Ao lado dele, Joaquim Passarinho, também deputado federal, tem perfil mais moderado e articulador. Reconhecido por seu trabalho legislativo e capacidade de diálogo, Passarinho se apresenta como figura estratégica para aproximar a direita de setores mais amplos da sociedade, incluindo empresários e políticos de centro. Na imprensa paraense, há análises de que a dobradinha Mauro-Passarinho pode ser a chave para ampliar a competitividade do bloco conservador.
Por outro lado, a hegemonia do MDB e a força do grupo Barbalho representam desafios enormes. Helder Barbalho encerra seu mandato como governador com altos índices de aprovação e já se projeta nacionalmente, o que dá fôlego ao seu campo político para manter influência na sucessão estadual. Além disso, outros nomes ligados ao MDB, como Hana Ghassan, surgem como alternativas de continuidade.
Analistas apontam que, para a direita consolidar uma candidatura forte em 2026, será necessário construir alianças sólidas, expandir a base para além do eleitorado conservador e, sobretudo, apresentar um projeto claro de desenvolvimento para o Pará. A influência nacional da direita, especialmente de figuras como Jair Bolsonaro, também será fator determinante.
“Na democracia, cada escolha é um ponto de virada capaz de definir não apenas governos, mas o destino de um povo.”
A presença de Eder Mauro e Joaquim Passarinho garante protagonismo à direita no Pará, mas o desafio é transformar votos expressivos em eleições proporcionais em competitividade majoritária. A estratégia de alianças e a força de um discurso unificado serão decisivos para que o bloco se firme como alternativa ao grupo Barbalho.

A direita no Pará vive um momento de definição. Se por um lado conta com lideranças fortes como Eder Mauro e Joaquim Passarinho, por outro enfrenta a máquina consolidada do MDB. O sucesso dependerá da capacidade de ampliar bases e apresentar um projeto convincente ao eleitorado. As eleições de 2026 dirão se o conservadorismo será apenas coadjuvante ou protagonista na política estadual.


